80% adotaram IA. O ganho típico foi de até 1%.
O setor de seguros publicou os próprios números de IA, e eles ajudam a explicar por que tanta empresa investe em tecnologia sem ter resultado para mostrar.
Em fevereiro de 2026, a CNseg, a confederação das seguradoras, divulgou um levantamento sobre IA no setor. Três números ficam de pé sozinhos: 80% das empresas já implementaram alguma solução de IA, a projeção de investimento para 2026 é de R$2,8 bilhões, e 84% delas apontam aumento de receita de até 1%, em processos determinados.
80% de adoção. R$2,8 bilhões investidos. Até 1% de resultado.
O mesmo levantamento traz o dado que quase ninguém repete: 77% relatam impacto positivo sem nenhuma alteração estrutural do modelo de negócio. Em bom português, a ferramenta chegou e o processo continuou o mesmo.
Eu venho chamando isso de zona cinzenta: as empresas não estão sabendo como incluir IA no negócio como infraestrutura. Comprar licença virou o passo fácil. Fazer a tecnologia carregar um processo inteiro, com regra, com responsável e com medição, é outro trabalho, e é nele que a conta se paga ou não se paga.
O mesmo número admite duas leituras
A primeira leitura é de ameaça: um mercado que já investiu bilhões e colheu 1% chega cético na próxima conversa sobre IA, e com razão.
A segunda é de abertura: adoção alta com resultado baixo significa que quase ninguém redesenhou processo. A maioria encostou a ferramenta em cima do fluxo velho. Onde o desenho mudou, o próprio levantamento da CNseg registra ganho operacional real: redução de até 50% no tempo de resposta ao cliente e casos de dobro no número de cotações emitidas.
As duas leituras cabem no mesmo número. Eu trabalho com as duas na mesa.
O contraponto tem endereço: São Francisco do Sul
Em abril de 2026, a FIESC publicou o caso da unidade da ArcelorMittal em São Francisco do Sul. A inspeção de ovalização de bobinas de aço, que era feita manualmente, passou a ser feita por visão computacional. O tempo improdutivo caiu de 3,1 horas para 9 minutos. O operador, que caminhava 4,8 quilômetros para inspecionar, passou a caminhar 1. O investimento se pagou em menos de 5 meses e devolveu 2,6 vezes o valor aplicado.
Repare no que esse caso tem e a maioria não tem: um processo específico mudou de desenho, e o resultado foi medido e publicado com número. Nenhuma das duas coisas veio na caixa de uma ferramenta.
As duas perguntas que separam os grupos
Se a sua empresa está no grupo dos 80%, ou está prestes a entrar, estas duas perguntas dizem em qual dos dois destinos o dinheiro vai parar:
1. Qual processo mudou de desenho quando a IA entrou? Se a resposta for "nenhum, a equipe ganhou uma ferramenta nova", o levantamento da CNseg já contou como essa história costuma terminar.
2. Quem mede o resultado desse processo todo mês? Quanto custa cada resultado produzido, e que percentual roda sem ninguém precisar intervir.
Quem vende IA para a sua empresa deveria responder as duas com número na mesa. É o padrão que eu cobro da minha própria operação: custo por resultado e percentual sem intervenção humana, medidos todo mês, publicados também no mês em que pioram.
Fontes citadas: levantamento da CNseg sobre IA no setor de seguros, divulgado em fevereiro de 2026, e publicação da FIESC de 9 de abril de 2026 sobre o caso da ArcelorMittal.
Fellipe Collfundador da Dobre, Blumenau, Santa Catarina
Uma conversa de diagnóstico de 45 minutos. Qual processo hoje consome mais gente na sua operação, quanto ele custa, e o que acontece se a demanda dobrar. Se houver caso, apresentamos proposta com número. Se não houver, dizemos que não há.
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